O candidato Jair Bolsonaro (PSL) pretende dar imunidade aos policiais que matarem em serviço, sob a alegação de legítima defesa. Anunciou a proposta, que depende de aprovação do Congresso, durante visita ao Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Ele mesmo já apresentou à Câmara projeto de lei sobre o tema, cujo termo técnico é “excludente de ilicitude”. A mudança do Código Penal, no entanto, deverá provocar o primeiro embate entre Bolsonaro, caso eleito, e a Procuradoria-Geral da República (PGR). A subprocuradora-geral Luiza Frischeisen explicou ao GLOBO por que o órgão é contra.
O choque com a PGR pode ocorrer também na escolha do próximo procurador-geral. Em entrevista ao Jornal Nacional, Bolsonaro não se comprometeu a escolher um dos nomes incluídos em lista tríplice elaborada pela categoria, o que tem ocorrido ao menos desde 2003. Disse, no entanto, que não nomeará um militar.
As propostas e a retórica de Bolsonaro na visita ao Bope fizeram lembrar o presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, diz o colunista Elio Gaspari. Duterte prometeu reformas econômicas e implantou dura política contra o crime, que já deixou entre 4,5 mil e 12 mil mortos.
Aceno religioso Já Fernando Haddad (PT) promete não enviar ao Congresso projeto para legalizar o aborto, tema caro à sua vice, Manuela D’Ávila. O compromisso está escrito em carta destinada aos evangélicos, que será apresentada hoje. O objetivo petista é reduzir a vantagem de Bolsonaro entre os religiosos — o capitão da reserva tem 74% dos votos válidos desse grupo, segundo pesquisa Ibope.